Ansiedade
Sua mente acumula cenários que, muitas vezes, nem vão existir. E você é quem sofre.
Como a terapia cognitivo-comportamental te ajuda a compreender a ansiedade e o que fazer com ela.
Júlia Volpato Mariano · 15 de setembro de 2026 · 7 min

Oi! Se você está aqui, provavelmente sua mente vem te sobrecarregando com várias situações e possibilidades que talvez nem venham a existir. Isso provavelmente acaba te exaurindo e colocando você em um ciclo vicioso de preocupações. Isso realmente é bem chato.
Talvez você não esteja conseguindo dormir porque, ao colocar a cabeça no travesseiro à noite, mil e uma coisas surgem na sua mente e ficam alimentando sua imaginação. Uma das consequências ruins disso é uma série de acontecimentos em cadeia:
Você deita a cabeça no travesseiro, começa a imaginar inúmeras preocupações, perde o sono e demora para dormir ou não descansa bem. Consequentemente, seu dia seguinte acaba sendo ruim diante do sono acumulado e das milhares de listas imaginárias que você precisa analisar para decidir se deve dar a devida atenção a cada uma delas ou não. Mas são tantas que você também deve estar perdido ou confuso, sem saber o que fazer com tudo aquilo que sua mente te fala.
Sinceramente, a ansiedade (essa emoção danadinha) é algo que não aprendemos a lidar ao longo da nossa história. E sinto muito em te dizer uma notícia que pode não ser tão boa assim: a ansiedade provavelmente vai continuar fazendo parte da sua vida. Mas… tem uma notícia boa.
Existem maneiras simples de lidar com a ansiedade.
Mas, aqui, existe um adendo, uma placa de atenção: Caso esteja muito difícil lidar com suas preocupações sozinho, procure atendimento psicológico o mais rápido possível.
Este conteúdo é informativo e não substitui acompanhamento profissional. Voltando às maneiras de lidar com a ansiedade: O primeiro passo para lidar melhor com essa emoção é a nomeação.
A nomeação
Você concorda comigo que para nomearmos algo precisamos saber minimamente como essa coisa se parece e como ela se mostra, certo? Então vamos descobrir como é a tal ansiedade para podermos nomeá-la quando a bonitinha aparecer.
A ansiedade tem uma roupagem padrão. Essa roupagem é como se fosse o estilo que ela mais costuma surgir na nossa cabeça. O look estiloso dela, normalmente, se inicia com um:
E se…?
E se eu tiver feito algo errado? E se eu não tiver trancado a porta? E se meu chefe não concordar com aquela ideia? E se eu não passar no concurso? E se eu for mal naquela prova? E se meu namorado achar tal coisa? E se lalali, lalala. Existe uma infinidade de E se…? que seu cérebro cria durante o dia e, alguns, você nem percebe enquanto outros martelam mais.
Nós, psicólogas da TCC, gostamos bastante de compreender a função das emoções e dos pensamentos (sério, muito mesmo), e achamos que é importante você também saber disso. Qual a função da ansiedade? Por que ela fica te perguntando: “E se…?” o tempo todo? Te respondo agora.
A ansiedade ajuda a preparar os seres humanos para possíveis ameaças. Ela pode antecipar cenários e deixar seu organismo em estado de alerta para que você consiga se preparar para lidar com aquilo que pode acontecer.
Essa emoção não precisa desaparecer completamente para que você viva bem. Afinal, sentir ansiedade em alguns momentos faz parte da experiência humana. O que precisamos aprender é a reconhecer quando ela está tentando te proteger e quando está passando do ponto.
E quando ela passa do ponto?
É aqui que a coisa começa a ficar complicada.
Imagine que você recebeu uma mensagem do seu chefe dizendo apenas: “Precisamos conversar amanhã.”
Pronto. A ansiedade já pegou o microfone.
- “Será que eu fiz alguma coisa?”
- “Será que ele não gostou do meu trabalho?”
- “Será que vou ser demitido?”
- “Meu Deus, e se eu perder o emprego?”
Quando você percebe, uma simples mensagem virou uma reunião, uma demissão, uma crise financeira e, provavelmente, uma mudança completa de vida. Tudo isso antes mesmo de você saber o motivo da conversa.
E esse é um dos grandes truques dos pensamentos ansiosos: eles podem fazer uma possibilidade parecer uma certeza. Só que possibilidade não é previsão.
Pensar “e se der errado?” não significa que vai dar errado. Pensar que alguém está chateado não significa que essa pessoa realmente esteja. Imaginar que você não vai conseguir não é a mesma coisa que descobrir que você não consegue.
É por isso que, quando falamos sobre como lidar com a ansiedade, não estamos falando sobre simplesmente mandar a preocupação embora. Você provavelmente já percebeu que quanto mais tenta não pensar em alguma coisa, mais sua cabeça parece fazer questão de trazer aquilo de volta.
O objetivo é aprender a observar o pensamento antes de acreditar automaticamente nele.
E é justamente aqui que a terapia cognitivo-comportamental pode ajudar.
Na TCC, aprendemos a observar a relação entre nossos pensamentos, emoções e comportamentos. Isso significa olhar para aquilo que está passando pela sua cabeça e começar a fazer perguntas diferentes:
- “Eu tenho evidências de que isso vai acontecer?”
- “Estou tratando uma possibilidade como se fosse uma certeza?”
- “Existe outra explicação para essa situação?”
- “O que eu faria se aquilo que estou imaginando realmente acontecesse?”
Percebe a diferença?
Você não está tentando convencer sua mente de que “vai dar tudo certo”. Está aprendendo a sair daquele lugar em que qualquer cenário possível parece uma emergência. E talvez esse seja um dos pontos mais importantes quando falamos sobre ansiedade: você não precisa ter certeza de que tudo vai ficar bem para conseguir seguir em frente.
A vida, infelizmente, não vem com spoiler.
A gente não consegue prever todas as conversas, provas, relacionamentos, decisões, mudanças e problemas que vão aparecer pelo caminho.
E tentar descobrir tudo antecipadamente pode ser justamente o que está deixando você tão cansado.
Então, da próxima vez que sua mente aparecer com um grande “E se…?”, experimente não entrar imediatamente na história que ela está contando.
Pare, respire, observe e pergunte:
“Isso é algo que está acontecendo agora ou é um cenário que minha ansiedade está tentando resolver antes da hora?”
Talvez você não consiga responder perfeitamente de primeira. E tudo bem. Aprender a lidar com a ansiedade também é um processo.
Você não precisa vencer a ansiedade em uma batalha épica toda vez que ela aparecer. Às vezes, o primeiro passo é simplesmente perceber que ela chegou. E, quem sabe, dizer:
“Eu sei quem você é. Pode até ficar por aqui, mas não precisa decidir tudo por mim.”
E não precisa lidar com a ansiedade sozinho
Se essas preocupações têm ocupado espaço demais na sua vida, atrapalhado seu sono, seus relacionamentos, seu trabalho ou sua capacidade de aproveitar o presente, talvez seja hora de não precisar lidar com tudo isso sozinho.
A psicoterapia pode ser um espaço para entender melhor o que acontece dentro da sua cabeça, desenvolver novas formas de lidar com os pensamentos ansiosos e construir uma relação mais saudável com aquilo que você sente.
Porque aprender a lidar com a ansiedade não significa nunca mais sentir medo, preocupação ou insegurança.
Significa aprender que nem todo “e se?” precisa virar uma emergência.
Precisa de apoio para além da leitura?
A terapia é um espaço para transformar entendimento em prática, no seu ritmo.
